Conheçam meu blog onde conto meu dia a dia com meu filho que tem Transtorno Desafiador Opositivo.

Para quem não conhece o que é Transtorno Desafiador Opositivo conheça meu blog onde falo do meu relacionamento com meu filho que tem esse problema. Descrevo nosso dia a dia e logo mais estarei postando entrevista com vários profissionais falando sobre esse assunto.

domingo, 18 de maio de 2014

Matéria que saiu hoje (18/05/2014) no jornal “O Tempo” de Belo Horizonte no qual eu participei:

DESCONHECIMENTO

Pequenos descontrolados e rebeldes podem estar doentes 

TDO tem cura com terapia, apoio da família, escola e, às vezes, medicamento





PUBLICADO EM 18/05/14 - 03h00
ALINE RESKALLA E LITZA MATTOS


Há três anos, quando Vitor Caetano Pereira da Silva, 8, foi diagnosticado com o Transtorno Desafiador Opositivo (TDO), a mãe dele, a publicitária Sandra Regina Pereira, se desesperou. Com medo de um nome que nunca tinha ouvido falar, ela pensou logo que não daria conta do problema.
Os sintomas são realmente desafiadores: Vitor ficava nervoso, agressivo, sem controle. Chegava a procurar objetos cortantes para agredir a mãe. Após as crises, o menino ficava péssimo, se arrependia, chorava. Hoje, o drama da família diminuiu muito, graças ao diagnóstico preciso e ao tratamento iniciado há três anos.


O TDO é pouco conhecido da população, mas afeta 10% das crianças em idade escolar. O médico psiquiatra da infância e adolescência Gustavo Teixeira explica que os sintomas aparecem entre os 5 e 7 anos de idade. Os pequenos desafiam autoridades de pais, familiares, professores e adultos de uma forma geral. São impulsivos, opositivos, desafiadores, não aceitam críticas, regras e desafiam deliberadamente a autoridade de figuras de autoridade.

As causas, segundo Teixeira, são uma associação de vulnerabilidade genética e fatores ambientais. “Esses seriam fatores que influenciariam e causariam o ‘gatilho’ para o aparecimento do problema”, esclarece o especialista.

Os principais fatores ambientais estão relacionados a dois padrões parentais opostos: pais agressivos, negligentes, autoritários e violentos, ou pais passivos, fracos, sem autoridade, facilmente manipulados.

“Crianças inseridas em ambientes socialmente e economicamente desfavorecidos também facilitam o surgimento do problema. Aquelas que convivem em comunidades violentas e sem acesso à educação também”, explica Teixeira.

Segundo ele, os pais não precisam se desesperar, pois, com tratamento adequado e apoio da família, o problema pode ser vencido. O tratamento envolve um programa de orientação de pais, da escola, e a terapia cognitiva-comportamental também é indicada. “Em casos graves, a medicação pode ser utilizada, objetivando a diminuição dos sintomas opositivos e desafiadores da criança. Com a participação da família e escola, os sintomas podem ser eliminados”, garante o psiquiatra.

Gustavo Teixeira é autor do livro “O Reizinho da Casa”, da editora Best Seller. O livro é considerado o primeiro guia brasileiro sobre esse problema comportamental tão comum nos lares brasileiros.

Segundo o autor, o livro oferece uma oportunidade de pais e professores conhecerem o problema e resolvê-lo através da utilização de técnicas comportamentais eficientes de manejo de sintomas e correção de falhas na criação dos filhos.

Link da matéria: http://www.otempo.com.br/interessa/pequenos-descontrolados-e-rebeldes-podem-estar-doentes-1.847145

Entrevista que dei para jornal "O Tempo" de Belo Horizonte e saiu hoje:

“Sem apoio familiar e de profissionais, não damos conta” 

Sandra Regina Pereira - Publicitária mãe de Vitor Caetano Pereira da Silva, 8

PUBLICADO EM 18/05/14 - 03h00

Quais os principais desafios dos pais de filhos com TDO? É conseguir se controlar quando ele está descontrolado. É ter paciência e paciência. Esquecer aquele modelo que nos passaram do bom filho desde quando você era pequena e aceitar as limitações do seu filho. É aprender a amar sem esperar nada em troca. É viver cada dia e comemorar com ele cada vitória.

Como chegou ao diagnóstico preciso? É complicado porque não é uma doença comum, mas um problema emocional. Não demorou muito porque ele já fazia terapia devido a um acidente que tivemos. Mas só a psicóloga era pouco, era preciso entrar com medicação para ajudar a acalmá-lo. Foram vários psiquiatras até conseguir um que entendesse do assunto e passasse medicação eficaz. Aproveito para fazer um alerta: dificilmente antes dos 6 anos dá para chegar a um diagnóstico do transtorno. Os pais devem ter cuidado com diagnósticos precoces.

Como se sentiu ao receber o diagnóstico? Senti desespero e medo. Nunca tinha ouvido falar desse transtorno. Tudo que você lê na internet sobre o problema – apesar de que a psicóloga leu para mim compêndio de psicologia e pediu para eu não ler nada na internet – é desesperador. Passa muita coisa pela cabeça. Num primeiro momento, você acha que não dará conta e, se não tiver apoio familiar e de profissionais, não dará mesmo.

Por quais tipos de tratamento ele já passou? Ele ainda está em tratamento. Faz terapia regularmente e consultas ao psiquiatra por causa da medicação. Ele toma dois tipos de remédios. Fora isso, o médico pediu para fazer aula de música para que ele sinta-se valorizado, pois tem autoestima baixa.

Qual foi o momento mais difícil? Eles ainda existem, mas o mais difícil foi o início. A pressão das escolas para tirá-lo (ele passou por duas escolas), pois não sabiam e ainda não sabem (a maioria) lidar com crianças com TDO; as crises de agressividade; a medicação, pois eu não queria que ele tomasse remédios. Demorou até eu entender que era melhor para ele, para ter qualidade de vida.

Como seu filho se comporta após as crises? Ele sofre, sente arrependimento e chora muito quando tudo passa. Eu chegava na escola e tinha cinco mulheres segurando meu filho no chão. Era desesperador. Devagar estou aprendendo a lidar com ele na hora das crises. A forma de abordá-lo, o que dizer e tentar não passar para ele quando estou com algum problema, pois isso reflete diretamente nele.

Como ele está hoje?  Melhorou muito. Não procura objetos quando fica nervoso e se controla mais rápido. Com quase 9 anos, entende que precisa melhorar e depende dele. Faz quase dois meses que não tem uma recaída, e isso me deixa feliz. Estamos trabalhando a autoestima, que é baixíssima, e a necessidade de assumir os próprios erros, pois ele sempre culpa alguém quando age incorretamente. (LM)

Link da entrevista: http://www.otempo.com.br/interessa/sem-apoio-familiar-e-de-profissionais-n%C3%A3o-damos-conta-1.847146


Sintomas, causas e como lidar com portador de TDO:


OBS: Clique na imagem para aumentá-la.

Fonte: http://www.otempo.com.br/infogr%C3%A1ficos/o-tdo-1.847142