Conheçam meu blog onde conto meu dia a dia com meu filho que tem Transtorno Desafiador Opositivo.

Para quem não conhece o que é Transtorno Desafiador Opositivo conheça meu blog onde falo do meu relacionamento com meu filho que tem esse problema. Descrevo nosso dia a dia e logo mais estarei postando entrevista com vários profissionais falando sobre esse assunto.

sábado, 3 de maio de 2014

Dia de tarefa

Ultimamente fazer tarefa com meu filho tem sido bom e cada vez mais calmo. Eu também não tenho muita paciência nessa hora, mas estamos tentando melhorar. Anteriormente ele ficava muito nervoso, não queria começar a tarefa e depois não queria terminar, dizia que estava cansado, etc. Sempre discutíamos. Ele é bastante teimoso e eu também. Hoje ele chegou a chorar durante a tarefa porque não queria entender uma conta de subtração. 

Eu explicava e ele dizia que não era daquela forma. Não é fácil, quando ele diz uma coisa é difícil voltar atrás, admitir que esteja errado.
Ao mesmo tempo percebi uma coisa boa que até o amiguinho dele comentou. Eu percebi que ao ficar nervoso, imediatamente ele volta atrás e pede desculpas. Imediatamente, quase instantâneo, ele fala alto comigo e é como se pensasse e voltasse atrás, pede desculpas.  O amiguinho comentou comigo que meu filho está mais calmo. É a primeira vez que ele fala isso.  Essas pequenas vitórias do meu filho significam tudo para mim. São três anos de luta e eu espero que ele continue melhorando. É sempre surpreendente as atitudes do meu filho, às vezes está há semanas sem ficar nervoso e de repente tem uma recaída e tudo recomeça...



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os vizinhos e os gritos

Eu moro em um condomínio e as casas são geminadas, então vocês imaginam que se você gritar, dificilmente alguém não ouvirá. Quando meu filho fica nervoso e se é num dia que eu também não estou bem, então é difícil controlar o tom da voz. Ele grita e eu acabo gritando também. 


Odeio gritos e ele também, mas tem dias que fica difícil controlar. Ainda bem que até hoje nenhum vizinho se intrometeu ou chamou alguém para conversar com a gente. Agradeço publicamente a todos. Confesso que já senti medo que isso acontecesse. Esses dias eu conversei com uma vizinha e ela disse que não ouve mais meu filho gritar depois que eu comecei a trabalhar em casa e ficar com ele, então eu fiquei imaginando o que acontecia na minha casa quando eu trabalhava fora e ele ficava meio período com babá. Bem, prefiro nem  pensar... Depois que elas saiam eu descobria que não era como elas me passavam. Parecia sempre tudo bem, mas não era assim. Aconteciam brigas e elas não passavam isso para mim, depois que começou a entender melhor, meu filho passou a contar algumas coisas para mim, mas não tudo. Sei que até hoje muitos não sabem do que se tratam tantas discussões entre eu e ele, mas acho que o blog e a aproximação comigo acabará esclarecendo tudo isso.

 Acho horrível isso, mas tem dias que não dá para controlar. Ele é muito teimoso, para conseguir que ele obedeça tenho que falar muitas vezes e quando o coloco de castigo é difícil ele permanecer no local. É preciso persistência. Ele melhorou muito, percebo que ele me ouve mais, eu converso, pergunto a opinião dele, tento fazê-lo entender que está errado agir daquela forma. Antes ele não me deixava falar, gritava, gritava e partia para cima. Graças a Deus ele já mudou bastante e voltamos a ter paz em casa há três semanas. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Super Pai

Há anos meu filho entregou esse desenho para mim e fiquei feliz. Finalmente ele entendia que eu era sua mãe e seu pai. Até então acho que ele tinha esperança que o pai fosse menos ausente. O pai dele aparece a cada 3, 4 anos, não liga, não conversa com ele. A última vez que apareceu foi em julho do ano passado (2013) e após ir embora, meu filho não queria tocar no assunto, parecia magoado, até que finalmente disse: ele não falou comigo. Acho que ele esperava mais e ficou decepcionado. Quando eu falo para o pai que o filho dele tem TDO ele diz que é falta de limites, que eu não soube educa-lo.  Complicado tentar explicar para uma pessoa que não quer entender. Mas meu filho passou diversas fases em relação a ausência do pai. Quando novo  ele pedia para ligar para o pai, dizia que sentia saudade, então eu ligava. Mas psicóloga disse: “Sandra até onde vale a pena aproximar seu filho do pai sendo que ele aparece e depois some por vários anos? Isso faz seu filho sofrer mais ainda, a criança não entende como uma pessoa que a ama vai embora e não aparece mais.” Lembro como se fosse hoje quando o levei para São Paulo e ele conheceu a casa do pai e depois foi ao Parque da Xuxa com ele. Aquilo o marcou demais. Ele adorou, só falava nisso, contou para os amiguinhos. Mas depois o pai sumiu. Doeu muito nele essa atitude do pai.

Quando mais velho,  ele não falava mais no pai e chegou uma época que dizia aos amiguinhos que o pai morreu, não existia. Uma pena essa ausência pois, a presença do pai é muito importante na vida de uma criança. Meu pai foi importantíssimo na minha vida, um verdadeiro amigo, meu porto seguro em todos os sentidos. Na verdade não fazia parte dos meus planos ter um filho com pai ausente. Mas na vida nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos que fosse. Eu e meu filho somos felizes. Temos uma vida simples, mas feliz!


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Facas e tesouras

Esse não é um assunto fácil para mim, mas resolvi voltar a ele (no início do blog falei rapidamente sobre isso), o início de tudo. Resolvi voltar ao assunto porque uma mãe escreveu para mim dizendo que o filho acabou de ser diagnosticado com TDO, então é melhor falar melhor sobre isso, talvez aconteça com outras crianças.
Eu vivo só com meu filho e antes do meu filho começar a ter essas crises minha casa era muito silenciosa. Ele desde pequeno não gosta de gritos e eu também, então a mudança após o TDO foi radical. É claro que não tempo todo, mas no começo quase diariamente. Quando ele começou do nada ficava nervoso e corria para gaveta da cozinha para pegar faca ou tesoura e vinha para cima de mim dizendo que queria me agredir. Era difícil nesse momento ver o filho que eu tanto amava querendo me agredir. Demorei a entender que se tratava de um descontrole emocional. Eu passei a esconder as facas e após medicação, ele nunca mais fez isso e as crises se espaçaram. Eu pensei que fosse enlouquecer. 


Nessa época eu tinha um grande amigo que mesmo distante me ajudou muito: ouvindo-me, me consolando quando eu chorava, passando otimismo, enfim, ele me dava esperança e isso fez a diferença para que eu conseguisse prosseguir...



A primeira crise em família

Hoje me lembrei da primeira crise do meu filho em família. Foi no fim do ano (o problema tinha começado em fevereiro, mas minha família mora em outras cidades), comemoração do Natal em uma chácara. Correu tudo bem, estávamos há dois dias na chácara, mas na hora de ir embora, ele não queria ir. Eu o levei para o carro daquele jeito, ele berrando, querendo voltar e eu falando que precisava ir, minha família olhando admirada, porque eles acompanhavam os problemas pelo telefone, mas assistir uma cena do meu filho fora de controle era outra coisa. No meio de olhares de admiração e preocupação, entramos no carro. Meu filho puxava meu cabelo para trás (estava no banco traseiro) com muita força e eu dirigia. Isso faz qualquer um ficar louco. Não poderia ser diferente comigo, fiquei muito nervosa. 


Parei o carro, tentei me acalmar e conversar com ele. Demorou bastante para ele se acalmar. Não foi fácil lidar com o meu nervosismo nesse dia. Depois de um tempo prosseguimos viagem. Minha família não sabia direito o que dizer, nunca tinha presenciado isso, mas se colocaram a disposição caso eu precisasse de ajuda.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Para quem está fora do problema

Eu sei que para algumas pessoas que leem meu blog pode parecer estranho chamar as atitudes do meu filho de “problema” emocional ou de Transtorno Desafiador Opositivo. Percebo que desconfiam que se trate de um problema de impor limites, problema que a mãe não consegue lidar. Mas quem me conhece sabe que sou dura com meu filho e que às vezes exagero. Acho que a diretora da escola dele pode falar com mais precisão sobre isso. Desde quando meu filho mudou, começou a ter crises de nervosismo que as pessoas pensam que tudo é uma questão de limite. Mas essas pessoas não estão comigo no meu dia a dia. Quem conhece minha história de vida sabe que não combina comigo o papel de coitadinha. Nada do que escrevo nesse blog é mentira ou exagero e eu sinto muito que algumas pessoas entendam tudo isso como falta de limite. 

Mas eu estou acostumada a isso, pois pais de outros filhos também acham isso, os diretores que disseram não ao meu filho também pensaram que se tratava de falta de limites, enfim, as pessoas sempre se acham no direito de julgar. Eu resolvi tornar pública minha história e do meu filho porque quero ajudar outros pais que sentem o mesmo desespero que eu sinto quando vejo meu filho fora de controle e o quanto ele sofre com isso. Eu li na internet muitos depoimentos de pais desesperados, de mães desejando a morte. Eu também já senti tudo isso e só eu e psicóloga do meu filho sabemos quantas vezes eu chorei perguntando a ela se um dia isso iria passar. Por isso eu peço que tentem não me julgar. Eu não preciso de universidade para aprender a impor limites para meu filho!


Saudade...

Sabe que meu filho às vezes diz que sente saudade de mim na escola... kkk Uma graça... Então, eu pensei, pensei e fiz o seguinte: escaniei a mãozinha dele, coloquei a oração do anjo que fazemos quase todo dia e grampeei uma foto dele comigo e disse a ele: "toda vez que ficar triste ou nervoso pegue o que mamãe fez e deixe a tristeza e o nervosismo ir embora... Ele parece ter gostado muito e acho que o ajudou de alguma forma. Hoje quando me despedi dele na escola (ele estuda período da manhã) percebi que estava com uma carinha triste e perguntei se estava tudo bem. Ele me abraçou  e disse que já sentia saudade. Eu o abracei e  pedi para ele ser forte, que faz muito tempo que não fica nervoso e que se sentir saudade, pegue a oração do anjo e nossa foto. 



Cada pessoa resolve seus "problemas" da forma que mais lhe convém. Nesse caso, acho que foi uma boa ideia. 



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Reunião de escola

Acabei de chegar de uma reunião na escola do meu filho. A professora o elogiou, disse que está calmo e prestativo em sala de aula. Em contrapartida, ela também o está elogiando sempre e isso o ajuda a se sentir amado. Não sei se eu consegui passar para vocês através dos outros textos a necessidade que a criança com Transtorno Desafiador Opositivo tem de sentir-se amada. Eu não sou profissional da área da saúde, mas sinto que a criança com TDO tem uma necessidade eminente de ser amada. Eu não sei explicar o porquê, mas sinto que essa necessidade é grande em meu filho. Ás vezes, do nada, meu filho pede que eu o abrace.
O TDO é uma controvérsia: ao mesmo tempo em que a criança consegue tirar de você seu pior lado, aquele que você deixa escondido de todos, aquele que nem você gosta, em certos dias, o amor transborda, brota em você sentimentos que nem sabia que existiam de tão maravilhosos que são. E é nessa gangorra de sentimentos que os dias passam e lutamos para nos equilibrar.
Já são 15 dias sem nervosismo e isso me deixa extremamente feliz...


A morte para meu filho

Hoje no fim da tarde (28-4-2014), estava terminando de trabalhar ao mesmo tempo pedindo para meu filho tomar banho e correndo para conseguir chegar a tempo na reunião de escola e não sei direito em qual momento disse para ele sobre se virar sozinho e ele disse: “ Mamãe tenho medo de perde-la. Tenho medo que você morra e começou a chorar. Eu o abracei e disse que ainda teremos tempo juntos, que mamãe ainda ficará velhinha e dará muito trabalho a ele. Disse também que morte não existe (eu sou Espírita), que a Terra é só uma passagem  e que um dia nos encontraremos de novo, quando eu for embora.


Uma vez psicóloga disse que meu filho sabe que só tem a mim. Disse que ele me ama muito, que sou tudo para ele. É claro que chorei (eu choro fácil, fácil). 
Eu só sei que é recíproco, pois não sei o que seria de mim se ele tivesse ido embora com minha irmã e sobrinha naquele acidente. 

Ele é minha luz, minha força e superei tudo devido à presença dele em minha vida.


Diferenças

Eu falo de diferença no meu blog, de preconceito, então resolvi postar essa imagem que fala disso. Na verdade, somos todos iguais e foi isso que Jesus veio fazer na Terra: mostrar que somos  iguais, que precisamos amar um ao outro, pois somos irmãos.



domingo, 27 de abril de 2014

Aumento de peso

Meu filho sempre foi um menino forte, periodicamente o levava ao pediatra desde quando nasceu e sempre teve um quilo acima do peso. Mas após início dos remédios contra o transtorno, engordou 10 quilos. O início de tudo foi um período difícil. Troca de escolas, o nervosismo, os remédios, não conseguia alfabetizar, isso tudo mexeu demais com ele.

As contra indicações dos remédios são horríveis. É bom nem ler (quase toda bula de remédio é assim). Conheço um menino que tem transtorno de conduta e toma remédios há muitos anos, hoje é adolescente e está tudo bem, por isso não leia a bula dos remédios. Voltando ao meu filho, os remédios falam em aumento de peso e ele é ansioso. Tem períodos que é difícil controlar a gula dele. Eu chego a esconder alguns biscoitos salgados e não compro muitas guloseimas. Eu o levei em uma nutricionista e foi bom, ela conversou com ele, mas tem períodos de nervosismo que não dá para controlar, pois foco o controle no nervosismo. Se ele está nervoso e eu falar, falar sobre comida, isso o deixará mais nervoso. Mas venho estimulando a andar de bicicleta e a pé. No momento ele não pratica nenhum esporte por uma questão financeira. Mas uma vez eu o levei no neurologista e ele disse para não colocar em esporte de competição, mas que dependa só dele, como por exemplo, natação e pediu para colocá-lo na aula de música para ajudar na autoestima. Ele faz aula de violão no Projeto Guri e está gostando.  Estar acima do peso também é complicado por causa da autoestima. Meu filho tem autoestima baixa e quando é chamado de gordo fica péssimo. O que faço é conversar com ele, explicando que deve falar para a pessoa que o chama de gordo que não gosta que alguém o chame assim, que não gosta de apelidos. Sempre destacando que conversar é melhor que agressividade. Falo direto uma frase para ele: “use seu cérebro e não seus músculos”.
Vocês entendem como tudo depende de paciência?  O TDO é uma grande prova para todos, porque você tem que ter equilíbrio espiritual para lidar com isso e quando você não está legal por outro motivo, é complicado. Nem sempre dá para controlar tudo, muitas vezes me pego sendo ríspida com ele por estar nervosa com meus problemas. Isso é péssimo, provavelmente ele responderá com agressividade.  Por isso, o remédio é: paciência, paciência e paciência!

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