Conheçam meu blog onde conto meu dia a dia com meu filho que tem Transtorno Desafiador Opositivo.

Para quem não conhece o que é Transtorno Desafiador Opositivo conheça meu blog onde falo do meu relacionamento com meu filho que tem esse problema. Descrevo nosso dia a dia e logo mais estarei postando entrevista com vários profissionais falando sobre esse assunto.

sábado, 26 de abril de 2014

Tratamento gratuito para quem tem algum tipo de Transtorno - CAPS


Percebi na internet que alguns professores querem ajudar seus alunos que apresentam sintomas de algum tipo de Transtorno e não sabem como fazê-lo. No Brasil existem os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), abaixo peguei uma das definições que existem na internet e que achei que descreve com clareza o que vem a ser. Apesar de o meu filho ser "assistido" por psicóloga e psiquiatra, tenho dificuldade para pagá-los, por isso fui visitar o CAPS de São José do Rio Preto. Eu liguei antes porque o CAPS que você será atendido depende do bairro que você mora. Foi agendada uma data para entrevista com a Assistente Social, fui bem recebida e fiz uma entrevista. Ela fez muitas perguntas e anotava em um papel. O próximo passo seria uma entrevista com um dos profissionais, acho que a terapeuta ocupacional. Eu acabei não voltando para a segunda fase, pois acho que a terapia ocupacional não ajudaria muito meu filho, pois eu o coloquei na aula de música (Projeto Guri - gratuito) e o psiquiatra ele já tem acompanhamento. O CAPS de São José do Rio Preto que eu fui entrevistada foi oferecido para meu filho dois profissionais: o terapeuta e  psiquiatra, não sei se em outras cidades ou Estados outros profissionais como psicólogos, psicopedagogos, etc são oferecidos. Eu tentei achar na internet a informação de quais Estados brasileiros tem CAPS, mas não consegui. Sei que tem em São Paulo, Rio de Janeiro e Sergipe. Assim que conseguir informação, repassarei a vocês. Mas liguem na Prefeitura de sua cidade para se informar. 

Nos sites que falam dos CAPS de Rio Preto, falam de equipe multidisciplinar, então não sei se o CAPS que eu fui era o único que oferecia dois tipos de profissionais ou se no caso do problema do meu filho os profissionais oferecidos eram esses. É preciso ligar e se informar.

O QUE É UM CAPS?
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou Núcleo de Atenção Psicossocial é um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS). É um lugar de referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros, cuja severidade e/ou persistência justifiquem sua permanência num dispositivo de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida. 

O objetivo dos CAPS é oferecer atendimento à população de sua área de abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. É um serviço de atendimento de saúde mental criado para ser substitutivo às internações em hospitais psiquiátricos.

Fonte: http://capsqueimadas-pb.blogspot.com.br/2008/07/caps-oque.html

Abaixo definição de CAPS pela Prefeitura do Rio de Janeiro e site onde informa os endereços e telefones:


Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)

 Os CAPS são unidades especializadas em saúde mental para tratamento e reinserção social de pessoas com transtorno mental grave e persistente. Os centros oferecem um atendimento interdisciplinar, composto por uma equipe multiprofissional que reúne médicos, assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, entre outros especialistas. O serviço é diferenciado para o público infanto-juvenil, até os 17 anos de idade, através do CAPSi, e para pessoas em uso prejudicial de álcool e outras drogas pelo CAPSad.

O encaminhamento para os CAPS pode ser realizado através de demanda espontânea, por intermédio de uma unidade de atenção primária ou especializada, após uma internação clínica/psiquiátrica, ou ainda por indicação da assistência social ou por ordem judicial. O tratamento pode ser feito de forma individualizada ou coletiva, através de oficinas e grupos terapêuticos.

Os CAPS funcionam de segunda a sexta, com atendimento das 8h às 17h. Algumas unidades possuem também acolhimento noturno, durante os sete dias da semana.

A Prefeitura do Rio conta com 13 Centros de Atenção Psicossociais (CAPS), 4 Centros de Atenção Psicossocial Álcool Drogas (CAPSad) e 7 Centros de Atenção Psicossociais infantis (CAPSi), totalizando 24 unidades especializadas próprias. Outras 3 das redes estadual e federal completam a rede de 27 CAPS dentro do município do Rio de Janeiro.

Endereços e fones dos CAPS do Rio de Janeiro: http://www.rio.rj.gov.br/web/sms/caps


Endereços e telefones dos CAPS na capital, São Paulo:


Endereços do CAPS de São José do Rio Preto:

Em Rio Preto os CAPS são separados entre adultos e crianças. Abaixo endereço e telefone do CAPS para adultos:



Endereço e telefone do CAP para criança em Rio Preto:



Endereço de alguns CAPS nas cidades do Estado de São Paulo:








Opinião do meu filho sobre o blog

Quero que saibam que meu filho sabe do blog. Conversamos bastante e ele disse que era uma boa ideia...kkk esse menino...kkk Hoje fizemos um bolo de brigadeiro juntos a pedido dele. O duro é fazê-lo parar de comer. Mas foi bom ver a satisfação dele e dos amigos olhando para o  bolo. É uma graça, ele diz que está se esforçando para ficar calmo na escola. Agora ele entende que depende dele ficar calmo. Demorou para ele se dar conta. Antes dizia que não era ele que podia controlar, dizia que não conseguiria. A criança com TDO nunca assume os erros, sempre justifica culpando outros. 

Aguarde

Logo mais estarei postando entrevista com psicóloga do meu filho: Kelly Regina de Pinho. Muito interessante, aguardem! Acredito que possa ajudar muitos pais e profissionais da área de educação!

Não ceda às pressões.

Aproveito oportunidade para pedir aos pais e profissionais da área de educação que não ceda a pressões externas, como por exemplo, pessoas que dizem que  talvez os profissionais estejam errados, que o remédio está incorreto, que seu filho precisa de mais terapia, que todos estão errando... Eu procurei muitos profissionais além daqueles que acompanhavam meu filho e alguns me perguntavam: o que você procura? Seu filho está sendo acompanhado, bem assistido. Eu simplesmente chorava e dizia, não sei direito. Quero que ele melhore e algumas pessoas falam que não está correto o tratamento. Quando ocorre de meu filho ficar nervoso todos os dias eu entro em um desespero, parece que aquilo não acabará. Eu trabalho em casa olhando para o relógio e pensando: será que a escola ligará agora ou daqui a pouco? Quando terei que parar para acalmar meu filho? Além das crises, é difícil não ceder a pressões de pessoas envolvidas com o problema. Eu cedi algumas vezes, procurei outros profissionais, mudei com meu filho, mas não é correto. Se você encontrou os profissionais certos, se está conseguindo bons resultados, não pode ceder às pressões. 


Porque sempre acontecerão crises, sempre ocorrerão problemas, então é preciso ficar firme, ter fé e continuar. Eu sou só, tenho a família distante, então tudo fica difícil. Eu não sei até onde mães que tem os pais presentes sentem-se confortáveis diante das crises com um marido que as auxilie. Sei que algumas têm pessoas fortes ao lado, mas sei que algumas devem ter um segundo problema com eles, pois acredito que para os homens seja difícil encarar esse problema de frente. Mas não desistam de seu filho com Transtorno. Procure mudar, procure os profissionais que entendam do problema. Mas não desistam e sintam nisso a necessidade de união e não de separação. Fiquem juntos, conseguirão um filho feliz e bem emocionalmente. Não esqueçam que tudo depende de vocês também. Não delegue o problema a outrem. A vida cobrará de vocês mais tarde! 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O acidente



Resolvi escrever sobre o acidente que aconteceu comigo e meu filho em 2009 porque talvez no futuro os cientistas descubram que na verdade é um acontecimento marcante na vida da criança que desencadeia o TDO. Eu estava dirigindo, carro capotou e faleceu minha irmã e sobrinha. Meu filho estava consciente, chorou tempo todo, mas não desmaiou em nenhum momento. Ele tinha quatro anos, não lembra como tudo ocorreu, mas tem lapsos de alguns momentos. Isso ocorreu em 2009 e apesar de ter alguns problemas de disciplina, o TDO foi diagnosticado em 2011. Nem eu e nem a ciência podem afirmar ainda se é hereditário, se é um acontecimento que desencadeia tudo isso, se é apenas um problema emocional ou cerebral, enfim, não dá para afirmar nada. O que podemos fazer é procurar amenizar as “crises” de agressividade com ajuda de profissionais e mudando nossas atitudes dentro de casa.

O amor da minha vida, meu eterno aprendizado!



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Autoestima

Sobre autoestima meu filho tem dificuldade em perceber  as qualidades que possui. Quando sente dificuldade em aprender algo, diz que nunca conseguirá aprender e sempre se sente desprestigiado diante de alguns fatos. Muitas vezes acha que os amiguinhos da escola não gostam dele, outras vezes diz que não é capaz. Eu converso com ele, sempre digo que é capaz, que tem que tentar e não desistir facilmente. Sinto-o carente às vezes, não sei até onde a ausência do pai pode ter influenciado nesse sentimento de carência. Muitas coisas ligadas a esse Transtorno ainda são uma incógnita.


Algumas vezes fico preocupada com o futuro dele,  pois sei que a vida não é fácil e que é preciso ser forte para sobreviver. Mas acredito que a maturidade o ajudará a entender esses sentimentos e consequentemente saberá lidar melhor com eles.


O que desencadeia a agressividade

É difícil entender às vezes o que desencadeia a agressividade no meu filho. Muitas vezes ele parece sereno, mas após algumas horas, a escola liga dizendo que está nervoso. Tenho impressão que certas palavras e atitudes contribuem para que ele comece a ficar assim. 

Na verdade não são palavras consideradas ofensivas ou ruins para quem não tem Transtorno, mas talvez para a criança, a interpretação seja diferente. Psicóloga dele diz que nunca começa do nada, sempre acontece algo e isso causa uma reação da parte dele que não é legal.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Falta de informação e de coragem

A falta de informação e de coragem para perguntar para mim porque meu filho às vezes é tão agressivo e depois tão meigo e calmo, faz com que ele não entenda certas atitudes dos pais dos seus amiguinhos e isso me deixa triste. Darei dois exemplos. Meu filho tem um amiguinho que ele adora e é recíproco.  Hoje é o “melhor” amigo dele. Desde quando manifestaram os sintomas do transtorno, meu filho ficou nervoso um dia na casa dele e  os pais do amigo conseguiram acalmá-lo. Mesmo assim, nunca tocaram no assunto comigo. Eu expliquei ao pai algumas vezes  (amigo está sempre com pai, pois mãe trabalha em turno), mas não ouvi uma pergunta dele. Os pais do amiguinho dele nunca o convidaram para fazer um passeio junto e eu levo o amigo do meu filho em todos os lugares. Gosto dele e não irei cortar uma amizade tão bonita por causa disso. Meu filho às vezes pergunta por que eles não o levam. Eu digo, pergunte a eles. Eu pensei bastante e achei melhor não falar nada. Prefiro que a amizade entre os dois permaneça. Não sei qual seria minha reação se houvesse um julgamento dos pais em relação ao meu filho.

Outro exemplo aconteceu no ano passado. Meu filho  pediu para convidar alguns amiguinhos da sala de aula para passar o sábado em casa. Eu gostei da ideia, minha casa tem sempre crianças, eu gosto da alegria deles. Vieram três amigos e o dia foi muito bom. Meu filho se sentiu feliz e isso para mim basta. Mas ele também esperou convite dos amigos para passar o dia na casa deles. Convite esse que até hoje não aconteceu. É claro que os pais tem medo que meu filho fique agressivo na casa deles. Total falta de informação e de sinceridade comigo, pois eu poderia explicar e se houvesse a possibilidade disso acontecer, não deixaria meu filho passar o dia com eles. Meu filho fica nervoso quando envolve regras, pressão, ambiente de agressividade e gritos. Ele passou várias vezes o fim de semana fora de casa. Desde pequeno ele passa férias na casa dos avós postiços. Mas eu expliquei a ele que talvez eles não gostassem de crianças na casa deles e isso foi suficiente para meu filho esquecer. Criança não guarda mágoa como os adultos e isso é maravilhoso. Mágoa e falta de perdão não faz bem a ninguém.

OBS: Quero deixar claro que isso não interfere na amizade entre meu filho e seus amigos. A postura dos pais do melhor amigo dele não interfere em nada, pois eles se gostam demais e a amizade deles cresce a cada dia e  a convivência entre eles é maravilhosa. Nunca pensei em separá-los por qualquer motivo. Na verdade, amo esse menino como a um filho.



Sem controle, limites e o coitadinho

Quando a gente está muito envolvida com o problema, não percebe certas coisas que uma pessoa “de fora” consegue perceber. Como por exemplo, quando a criança não se controla por causa do transtorno e quando é falta de limites. Após quatro anos de terapia e quase três de diagnóstico de transtorno, meu filho durante a terapia (eu estava na sala conversando com a psicóloga), surtou. Ele queria quebrar tudo, quadro, cadeira, sofá, etc. Depois saiu correndo da sala, eu e a psicóloga atrás dele e ele tentando agredir as duas. Meu filho é muito forte, apesar da idade e isso dificulta tudo. Eu tive que dar umas chineladas nele e ela disse que percebeu que eu batia para não machuca-lo e que isso era bom, pois alguns pais chegam a bater com fio do ferro de passar roupa. Quando conseguimos que ele se acalmasse, psicóloga conversou comigo e disse que aquilo era falta de limite. Eu não tinha percebido que precisava ser mais rígida. Sentia-me tão esgotada emocionalmente quando ocorria isso em casa, sentia-me tão culpada, que não percebia que era preciso  impor de forma mais consistente. A criança não pode perceber que te domina, ela precisa entender que a pessoa que manda é você, tanto fisicamente quando emocionalmente. Ela precisa perceber que fisicamente você também é mais forte. Para que ela perceba isso, não é preciso bater. Basta que na hora do nervosismo, você segure os braços e mãos e diga a ela que você é mais forte, que você diga que é melhor conversar. Quando tiver a chance, abrace a criança e diga que a ama. Isso é imediato, ela começa  baixar a guarda e se acalma. Após ele ficar calmo, costumo buscar  água para ele, pois sinto a respiração dele ofegante e o coração batendo muito rápido. Nunca ache que seu filho é um coitadinho, isso o prejudicará. Ele precisa entender que isso passará um dia, precisa entender que é forte e que todos têm problema. Não pensem que sou uma pessoa calma. Sou ansiosa e muitas vezes, nervosa. Mas esse problema do meu filho vem me ensinando a melhorar como pessoa. Percebo que ele só melhora rapidamente quando eu estou calma.
Nunca esqueço o que ocorreu há pouco tempo. Após ser chamada todos os dias na escola (teve dia de ter que ir duas vezes ao mesmo dia), eu cheguei nervosa. Não consegui me controlar dentro do carro. Porque todas as vezes vou para escola orando e falando para mim mesma: você tem que ficar calma, tem que esquecer o que ele fez, abraça-lo e dizer que o ama. Mas naquele dia não consegui. Cheguei muito brava, ele estava no parquinho cheio de terra e dizia que não iria embora comigo. Eu falava, falava e ele nada (ele sabe quando estou nervosa), eu puxava ele pelo braço e nada. Ele saiu correndo para frente da escola e vários pais estavam chegando. Aquilo foi me deixando mais nervosa ainda... Todos percebiam que eu estava nervosa. Dei uns tapas nele e aquilo piorou tudo. Desisti, fui para o carro, mas ele não me acompanhou. Eu dei uma volta no quarteirão e ele foi para calçada. No fim, ele entrou no carro. Foi horrível aquilo tudo. Após dois anos, posso dizer que na maioria das vezes eu consigo me controlar. Depois que passa tudo, converso com ele e digo o quanto agiu errado.


Outra coisa que percebi é que no dia que acordo de mau humor ou com algum  problema, isso reflete diretamente nele. Não sei se é porque somos muito ligados, mas de alguma forma isso reflete terrivelmente nele e sempre ele reage de forma negativa na escola. Não sei explicar direito isso.  Mas é assim que funciona conosco. Meu filho capta tudo de bom e ruim que sente perto dele e isso causa um grande efeito em suas atitudes. O que torna minha responsabilidade ainda maior. 


terça-feira, 22 de abril de 2014

Escolas

Primeira escola:
Eu já falei um pouco sobre a primeira escola quando tudo começou, mas quero detalhar e aproveitar para fazer um apelo aos profissionais da educação (principalmente dirigentes das escolas).  Meu filho sempre estudou em escola particular, opção minha porque tenho só um filho e quero dar a ele o que eu acho que é o melhor. Nessa primeira escola (eu havia mudado ele de escola), tive que tirá-lo, pois a mesma não sabia lidar com aluno com transtorno e não estava disposta a aprender, pois as escolas não querem também perder seus alunos. Meu filho gritava e queria bater em todos, então, não é uma situação agradável para ninguém. Eu o tirei, pois eles não queriam ele lá. Qual não foi minha surpresa quando li no outdoor dessa escola a seguinte frase: ESCOLA HUMANIZADA. Até hoje não sei onde está o ser humano para eles. Mas enfim, meu filho “dava trabalho” e não conseguia alfabetizar, então, eu o tirei.

Segunda escola:
Eu escolhi uma escola, fui até a diretora, contei sobre o problema e ficamos bastante tempo conversando. No primeiro dia de aula, meu filho entrou na escola forçado. Confesso que foi um erro meu. Não façam isso, não adianta forçar, isso deixa uma criança com TDO muito nervosa. Resumindo, ele entrou gritando e querendo bater em todos, quebrou o colar da diretora (bijouteria) e ela veio até mim no carro e disse: ISSO É FALTA DE LIMITE E NÃO TRANSTORNO. Peguei meu filho e fui embora. Mas no outro dia voltei com várias informações sobre o que é o Transtorno e deixei na secretaria para ela. Espero que tenha lido e aprendido um pouco.


Terceira escola:
Eu resolvi leva-lo na mesma escola que tinha tirado e ela o aceitou de volta. Quero deixar claro aos pais que leem meu blog, que dificilmente uma escola aceitará seu filho e pior ainda: dificilmente ela saberá lidar com uma criança com qualquer tipo de transtorno. Eu já visitei muitas escolas e quase todos dizem não. Ninguém quer ter problema. Apesar do governo e a mídia falarem na inclusão, na prática ela não existe ainda no Brasil. Não posso generalizar, mas posso contar o que ouvi das escolas de São José do Rio Preto sobre esse assunto. A maioria não investe nos profissionais e o medo de perder alunos, faz com que recusem logo de início o mesmo. Eu me coloco no lugar deles e sei o quanto é difícil ter um aluno com transtorno, mas eu também não posso ficar sozinha nessa luta. Eu perguntei para uma coordenadora pedagógica assim que ela disse que não poderia perder alunos, pois se trata de uma escola particular: o que você sugere que eu faça com meu filho, tranque-o em casa? Que eu o deixe analfabeto? Ela sugeriu sutilmente que poderia tentar, mas que a experiência do ano passado com um menino com TDO não foi boa e que não queria de novo um aluno com esse problema.


Vocês não tem ideia quantas escolas eu visitei. Eu sempre optei em dizer o que meu filho tem. Algumas psicólogas acham melhor não dizer logo na primeira conversa o que a criança tem, para não taxá-la, mas a psicóloga do meu filho acha melhor abrir o jogo e eu concordo. Não quero chegar à escola e encontrar meu filho no chão com seis pessoas segurando-o como presenciei na primeira escola. Aquela cena, não quero de novo.

Se você não desistir e tiver calma, conseguirá alguém que o acolha e que consiga alfabetizá-lo. Graças a Deus a escola atual tem batalhado comigo e com muita paciência estamos conseguindo. Não é fácil para ninguém, pois os pais não entendem e reclamam. Meu filho às vezes é agressivo e os pais não querem que seus filhos sejam agredidos. Mas a falta de informação e amor ao próximo faz com que esses pais muitas vezes sejam indiferentes. Não se intimide com os nãos, pois eles serão frequentes. Você terá que ser forte e continuar a luta pelo seu filho.

Aproveito para fazer um apelo a todas as pessoas ligadas direta ou indiretamente a educação, procurem informação, façam cursos, tenham paciência no seu dia a dia, pois nós pais, precisamos de vocês. Precisamos de auxílio, pois muitas vezes só temos vocês. Não diga não de cara aos pais que buscam ajuda. Tentem ajudar uma criança com transtorno. Não descarte como se fosse um lixo. Contribua com algo para a vida dessa criança. Ajude, ajude, ajude!



Psiquiatras e remédios

Particularmente sempre que posso opto por não tomar remédio, por isso, foi difícil aceitar que meu filho precisaria tomar remédios diariamente. A psicóloga conversou comigo, explicou que era melhor ele tomar remédio e ter qualidade de vida, do que não tomar e usou como exemplo pessoas que tem diabetes e que passam vida toda tomando remédios e conseguem ter uma vida legal (juntamente com outros procedimentos).

Primeiro psiquiatra:
Levei meu filho ao psiquiatra e meu filho começou a mexer nos objetos da mesa dele. Eu pedi que ele parasse, mas ele não obedeceu e foi embaixo da mesa do médico. O mesmo pediu que eu saísse e deixasse meu filho com ele, pois discretamente deu a entender que aquilo não era transtorno, mas falta de limites. Eu saí e de repente meu filho gritava muito e todo consultório começou a olhar esquisito para mim. Voltei para a sala e meu filho estava muito, muito nervoso e chorava. Provavelmente o médico o desafiou e falou muitas coisas a ele. Eu fui embora e na rua meu filho queria me bater. Eu nunca mais voltei nesse médico, mas o remédio que ele receitou era o correto: fluoxetina e risperidona.  Meu filho melhorou 80% quando começou a tomar os remédios.

Segundo psiquiatra:
Depois desse psiquiatra, optei por uma mulher que fazia parte do convênio, pois essa especialidade cobra caro e eu já pagava psicólogo. Ela olhou para meu filho e disse: ele não tem nada. Bem, eu fui embora e desisti dessa profissional.

Terceiro psiquiatra:
Após pesquisar com algumas pessoas, fui informada de que havia uma profissional que tinha alguns pacientes com vários tipos de transtorno. Liguei, mas a mesma estava com agenda fechada e não atendia mais novos pacientes. Mas ela indicou outra profissional que atendia no mesmo consultório. Fui até ela, gostei e até hoje meu filho é atendido por ela. Sobre os remédios, ela disse que estava correto e até hoje ele toma os mesmos, variando a dose, de acordo com as “crises”. Chamarei de crise os períodos que ele está mais nervoso, pois não sei se é propriamente uma crise, acredito que seja um momento. Ás vezes passa rápido e outras vezes são demoradas.




Acho que essa imagem demonstra bem o que acontece com uma criança durante uma crise do Transtorno Desafiador Opositivo.

Como lidar com uma pessoa que possui TDO

Quero deixar claro que a pessoa que mais sofre com esse problema, é o próprio diagnosticado. Ninguém sofre mais que ele. Após cada crise, meu filho chora copiosamente, pois se sente culpado por tudo que fez e extremamente arrependido. É como se outro menino se manifestasse durante as crises. São sentimentos controversos e difíceis de lidar. Se você me perguntar sobre os meus sentimentos como mãe, eu te falo: durante as crises, eu tento demonstrar a ele que estou calma e que não estou chateada com ele (mesmo que por dentro eu esteja sangrando). Após a crise e se estou em casa, dou uma escapadinha para meu quarto, choro muito e faço orações.
A atitude de quem está perto tem que ser de extremo carinho e atenção. Eu sempre abraço meu filho durante a crise e digo que o amo, que estou com ele e que tudo isso passará. Mas no início, ele não me ouvia. Hoje consigo acalmá-lo dessa forma.
No início, eu tive que guardar facas, tesouras, qualquer objeto que pudesse machucar. No começo eu sentia muito medo que ele fizesse algo, mas depois, percebi que ele não chegaria até o fim. Eu sentia isso, pois consegui superar meu medo e dizer a ele: vamos, se você quer me matar, mate. Ele imediatamente abaixava a faca e começava a chorar. São grandes desafios. Mas procurem ficar calmos. Sei que para a figura paterna deve ser mais difícil ainda do que para as mães. Os pais tendem a ser mais autoritários, mas peço que não batam em seus filhos durante as crises. Confesso a vocês que eu cheguei a dar algumas palmadas nele no primeiro dia que se manifestou o problema. Eu pensei: quem ele acha que é para me desobedecer assim? E eu, pela primeira vez, dei palmadas em meu filho. Mas doeu mais em mim do que nele. 

Eu nunca gostei de gritos e agressividade. Por isso, foi difícil ver meu filho agindo daquela forma. A psicóloga pediu que eu não batesse,  pois estaria mostrando a ele que bater pode, bater resolve. E o Transtorno Desafiador Opositivo, como o próprio nome diz, se você enfrentar, desafiar seu filho, ele ficará mais nervoso ainda. Você não conseguirá detê-lo. Outro cuidado que se deve ter é sobre as portas de sua casa, a porta que dá acesso a rua, mantenha trancada. Muitas vezes meu filho saiu correndo e eu tive que procura-lo. A minha sorte é que moro em condomínio, um lugar seguro.

É preciso paciência, paciência e paciência. Não desista do seu filho!


O Tratamento

A psicóloga conversou longamente comigo. Primeiro leu um compêndio de psicologia onde descrevia sobre o transtorno e pediu que eu não lesse na internet outras interpretações. 



Mas vocês acham que eu a obedeci? Não, fui pesquisar na internet e o que li me deixou desesperada e triste. Nessa hora você pensa: será que meu filho será um bandido?  Onde eu errei? Porque meu filho é assim? Mas a ciência pouco sabe sobre esse transtorno. Nem mesmo as causas são comprovadas cientificamente. Sempre que lemos sobre o assunto, fala-se em famílias desestruturadas, em genética, talvez um acontecimento que desencadeie tudo isso... Na verdade, cada profissional tem sua crença. Eu particularmente, acho que meu filho talvez tenha herdado do pai. Muitas atitudes que vejo nele, eu presenciei no pai. Mas ele nunca foi diagnosticado e nunca aceitaria que tem esse tipo de problema. Por isso, prefiro concentrar-me em auxiliar meu filho para que ele tenha qualidade de vida. Agora não importa mais o por que dele estar assim. 

O Diagnóstico

Diante desse quadro diário de agressividade, a escola começou a me pressionar para um diagnóstico, pois não queria mais as crises. Uma escola particular pode perder alunos por ter alguém com comportamento “anormal”. Sim, não se assuste, mas é assim que as escolas veem um aluno que não se comporta como todos. Ela vê esse aluno (maioria das escolas) como um desajustado e ela quer ver-se livre rapidamente do problema. Depois falarei sobre esse problema referente às escolas.
Nessa época, meu filho já fazia terapia, pois tínhamos passado por um acidente. Então, não foi difícil a terapia, pois ele já fazia. Inclusive, a psicóloga dele tinha outros pacientes com TDO e transtorno de conduta. Mas não é fácil (pelo menos na minha cidade, apesar dela ser de médio porte), encontrar um profissional que tenha experiência com esse tipo de problema.
Bem, diante desse quadro de agressividade em casa e na escola, descrevi para psicóloga o que ocorria e ela pediu vinte dias para analisa-lo e chegar a um diagnostico. Foram vinte longos dias, pois a escola na verdade não queria que eu o levasse mais e eu sem saber o que meu filho tinha, não queria que ele perdesse o hábito de frequentar uma escola. Na verdade, ele ia até escola, mas a professora não conseguia alfabetiza-lo. Ele ficava nervoso quase o tempo todo. Em casa também era bastante agressivo comigo, pois o TDO dirige sua agressividade para quem coloca regras, a(s) pessoa(s) que ele convive mais. Passados vinte dias, o diagnóstico: Transtorno Desafiador Opositivo. 


Para ser sincera, eu nem sabia que existia esse tipo de transtorno. Nunca conheci ninguém que tivesse filho com esse problema e apesar de gostar muito de ler, nunca tinha lido sobre essa problemática. Mas ao mesmo tempo em que fiquei preocupada com o diagnóstico, senti um imenso alívio. Finalmente eu poderia ajudar meu filho.




Como tudo começou.

Meu filho sempre foi um menino “normal” como qualquer outro. Um pouco tímido, certa dificuldade com regras, mas nada preocupante. Sempre agiu e reagiu como todo menino da sua idade.

Quando ele estava para fazer seis anos, resolvi muda-lo de escola. Assim que as aulas iniciaram, coincidência ou não, o transtorno manifestou-se. Meu filho foi dormir agindo de um jeito e acordou outro. Eu não conseguia reconhecer meu menino.  Ele não me ouvia mais, eu falava, falava e ele não obedecia. Um episódio difícil para mim foi quando ele pegou uma faca e disse que queria me matar. Mesmo sem concretizar o ato, foi como se a faca tivesse transpassado meu coração. É difícil entender os atos de uma criança com TDO. Vários sentimentos tomaram conta de mim: insegurança, medo, culpa e tristeza. Eu me perguntava (como todos fazem):

Será que eu sou culpada? Será que não soube educa-lo? Será que ele me odeia? O que faço agora? Depois veio o medo e o desespero. O rosto dele durante a crise transforma-se e ele parece ter ódio do mundo. 


Eu era chamada na escola todos os dias e quando chegava, tinham cinco professoras segurando ele. Meu coração contraía, sangrava, mas eu buscava forças dentro de mim e ia até ele e o acalmava. 

Quem eu sou e como cheguei até aqui


Eu tenho 43 anos (quase 44), sou solteira e tenho um filho de oito anos. Moro  com ele no interior de São Paulo há cinco anos e não tenho nenhum parente morando na mesma cidade.  Há um ano comecei a trabalhar em casa por dois motivos: para ficar mais próxima do meu filho e também conseguir ir até a escola toda vez que a mesma não consegue acalmar meu filho. Qualquer empresa já teria me dispensado, pois tem dias que tenho que me dirigir à escola duas vezes no mesmo dia. O problema do Transtorno ainda é muito presente na minha vida, mas o que vivi até agora, posso afirmar com certeza: não é fácil, mas se você não desistir, conseguirá superar e ser feliz ao lado do seu filho.

Troca de experiência e aprendizado


Eu sempre tive um sonho: auxiliar pessoas de alguma forma. É por esse motivo, que decidi falar da minha experiência em lidar com um filho que possui TDO. A identificação com alguns depoimentos de pais na internet foi instantânea, cada vez que leio um depoimento eu choro e lembro-me de tudo que passei e ainda passo. Estou a três anos procurando entender esse Transtorno para  conviver da melhor forma possível com meu filho e quero que vocês consigam superar esse labirinto de indecisões e surpresas que nos traz esse problema no dia a dia. Quero ajudar a acalmar o coração de vocês que convivem com alguém que tem TDO.