Conheçam meu blog onde conto meu dia a dia com meu filho que tem Transtorno Desafiador Opositivo.

Para quem não conhece o que é Transtorno Desafiador Opositivo conheça meu blog onde falo do meu relacionamento com meu filho que tem esse problema. Descrevo nosso dia a dia e logo mais estarei postando entrevista com vários profissionais falando sobre esse assunto.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sem controle, limites e o coitadinho

Quando a gente está muito envolvida com o problema, não percebe certas coisas que uma pessoa “de fora” consegue perceber. Como por exemplo, quando a criança não se controla por causa do transtorno e quando é falta de limites. Após quatro anos de terapia e quase três de diagnóstico de transtorno, meu filho durante a terapia (eu estava na sala conversando com a psicóloga), surtou. Ele queria quebrar tudo, quadro, cadeira, sofá, etc. Depois saiu correndo da sala, eu e a psicóloga atrás dele e ele tentando agredir as duas. Meu filho é muito forte, apesar da idade e isso dificulta tudo. Eu tive que dar umas chineladas nele e ela disse que percebeu que eu batia para não machuca-lo e que isso era bom, pois alguns pais chegam a bater com fio do ferro de passar roupa. Quando conseguimos que ele se acalmasse, psicóloga conversou comigo e disse que aquilo era falta de limite. Eu não tinha percebido que precisava ser mais rígida. Sentia-me tão esgotada emocionalmente quando ocorria isso em casa, sentia-me tão culpada, que não percebia que era preciso  impor de forma mais consistente. A criança não pode perceber que te domina, ela precisa entender que a pessoa que manda é você, tanto fisicamente quando emocionalmente. Ela precisa perceber que fisicamente você também é mais forte. Para que ela perceba isso, não é preciso bater. Basta que na hora do nervosismo, você segure os braços e mãos e diga a ela que você é mais forte, que você diga que é melhor conversar. Quando tiver a chance, abrace a criança e diga que a ama. Isso é imediato, ela começa  baixar a guarda e se acalma. Após ele ficar calmo, costumo buscar  água para ele, pois sinto a respiração dele ofegante e o coração batendo muito rápido. Nunca ache que seu filho é um coitadinho, isso o prejudicará. Ele precisa entender que isso passará um dia, precisa entender que é forte e que todos têm problema. Não pensem que sou uma pessoa calma. Sou ansiosa e muitas vezes, nervosa. Mas esse problema do meu filho vem me ensinando a melhorar como pessoa. Percebo que ele só melhora rapidamente quando eu estou calma.
Nunca esqueço o que ocorreu há pouco tempo. Após ser chamada todos os dias na escola (teve dia de ter que ir duas vezes ao mesmo dia), eu cheguei nervosa. Não consegui me controlar dentro do carro. Porque todas as vezes vou para escola orando e falando para mim mesma: você tem que ficar calma, tem que esquecer o que ele fez, abraça-lo e dizer que o ama. Mas naquele dia não consegui. Cheguei muito brava, ele estava no parquinho cheio de terra e dizia que não iria embora comigo. Eu falava, falava e ele nada (ele sabe quando estou nervosa), eu puxava ele pelo braço e nada. Ele saiu correndo para frente da escola e vários pais estavam chegando. Aquilo foi me deixando mais nervosa ainda... Todos percebiam que eu estava nervosa. Dei uns tapas nele e aquilo piorou tudo. Desisti, fui para o carro, mas ele não me acompanhou. Eu dei uma volta no quarteirão e ele foi para calçada. No fim, ele entrou no carro. Foi horrível aquilo tudo. Após dois anos, posso dizer que na maioria das vezes eu consigo me controlar. Depois que passa tudo, converso com ele e digo o quanto agiu errado.


Outra coisa que percebi é que no dia que acordo de mau humor ou com algum  problema, isso reflete diretamente nele. Não sei se é porque somos muito ligados, mas de alguma forma isso reflete terrivelmente nele e sempre ele reage de forma negativa na escola. Não sei explicar direito isso.  Mas é assim que funciona conosco. Meu filho capta tudo de bom e ruim que sente perto dele e isso causa um grande efeito em suas atitudes. O que torna minha responsabilidade ainda maior. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário