Quando a gente está muito envolvida
com o problema, não percebe certas coisas que uma pessoa “de fora” consegue perceber.
Como por exemplo, quando a criança não se controla por causa do transtorno e
quando é falta de limites. Após quatro anos de terapia e quase três de diagnóstico de
transtorno, meu filho durante a terapia (eu estava na sala conversando com a
psicóloga), surtou. Ele queria quebrar tudo, quadro, cadeira, sofá, etc. Depois saiu correndo da sala, eu e a psicóloga atrás dele e ele tentando agredir as
duas. Meu filho é muito forte, apesar da idade e isso dificulta tudo. Eu tive
que dar umas chineladas nele e ela disse que percebeu que eu batia para não
machuca-lo e que isso era bom, pois alguns pais chegam a bater com fio do ferro
de passar roupa. Quando conseguimos que ele se acalmasse, psicóloga conversou comigo
e disse que aquilo era falta de limite. Eu não tinha percebido que precisava ser
mais rígida. Sentia-me tão esgotada emocionalmente quando ocorria isso em casa,
sentia-me tão culpada, que não percebia que era preciso impor de forma mais consistente. A criança não
pode perceber que te domina, ela precisa entender que a pessoa que manda é
você, tanto fisicamente quando emocionalmente. Ela precisa perceber que
fisicamente você também é mais forte. Para que ela perceba isso, não é preciso
bater. Basta que na hora do nervosismo, você segure os braços e mãos e diga a
ela que você é mais forte, que você diga que é melhor conversar. Quando tiver a
chance, abrace a criança e diga que a ama. Isso é imediato, ela começa baixar a guarda e se acalma. Após ele ficar
calmo, costumo buscar água para ele,
pois sinto a respiração dele ofegante e o coração batendo muito rápido. Nunca
ache que seu filho é um coitadinho, isso o prejudicará. Ele precisa entender
que isso passará um dia, precisa entender que é forte e que todos têm problema.
Não pensem que sou uma pessoa calma. Sou ansiosa e muitas vezes, nervosa. Mas
esse problema do meu filho vem me ensinando a melhorar como pessoa. Percebo que
ele só melhora rapidamente quando eu estou calma.
Nunca esqueço o que ocorreu há
pouco tempo. Após ser chamada todos os dias na escola (teve dia de ter que ir
duas vezes ao mesmo dia), eu cheguei nervosa. Não consegui me controlar dentro
do carro. Porque todas as vezes vou para escola orando e falando para mim
mesma: você tem que ficar calma, tem que esquecer o que ele fez, abraça-lo e
dizer que o ama. Mas naquele dia não consegui. Cheguei muito brava, ele estava
no parquinho cheio de terra e dizia que não iria embora comigo. Eu falava,
falava e ele nada (ele sabe quando estou nervosa), eu puxava ele pelo braço e
nada. Ele saiu correndo para frente da escola e vários pais estavam chegando.
Aquilo foi me deixando mais nervosa ainda... Todos percebiam que eu estava
nervosa. Dei uns tapas nele e aquilo piorou tudo. Desisti, fui para o carro,
mas ele não me acompanhou. Eu dei uma volta no quarteirão e ele foi para
calçada. No fim, ele entrou no carro. Foi horrível aquilo tudo. Após dois anos,
posso dizer que na maioria das vezes eu consigo me controlar. Depois que passa
tudo, converso com ele e digo o quanto agiu errado.
Outra coisa que percebi é que no
dia que acordo de mau humor ou com algum
problema, isso reflete diretamente nele. Não sei se é porque somos muito
ligados, mas de alguma forma isso reflete terrivelmente nele e sempre ele reage
de forma negativa na escola. Não sei explicar direito isso. Mas é assim que funciona conosco. Meu filho
capta tudo de bom e ruim que sente perto dele e isso causa um grande efeito em
suas atitudes. O que torna minha responsabilidade ainda maior.
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