Meu filho sempre foi um menino
“normal” como qualquer outro. Um pouco tímido, certa dificuldade com regras,
mas nada preocupante. Sempre agiu e reagiu como todo menino da sua idade.
Quando ele estava para fazer seis
anos, resolvi muda-lo de escola. Assim que as aulas iniciaram, coincidência ou
não, o transtorno manifestou-se. Meu filho foi dormir agindo de um jeito e
acordou outro. Eu não conseguia reconhecer meu menino. Ele não me ouvia mais, eu falava, falava e
ele não obedecia. Um episódio difícil para mim foi quando ele pegou uma faca e
disse que queria me matar. Mesmo sem concretizar o ato, foi como se a faca
tivesse transpassado meu coração. É difícil entender os atos de uma criança com
TDO. Vários sentimentos tomaram conta de mim: insegurança, medo, culpa e tristeza. Eu me perguntava (como todos fazem):
Será que eu sou culpada? Será que
não soube educa-lo? Será que ele me odeia? O que faço agora? Depois veio o medo
e o desespero. O rosto dele durante a crise transforma-se e ele parece ter ódio
do mundo.
Eu era chamada na escola todos os
dias e quando chegava, tinham cinco professoras segurando ele. Meu coração
contraía, sangrava, mas eu buscava forças dentro de mim e ia até ele e o
acalmava.


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