Primeira escola:
Eu já falei um pouco sobre a
primeira escola quando tudo começou, mas quero detalhar e aproveitar para fazer
um apelo aos profissionais da educação (principalmente dirigentes das escolas). Meu filho sempre estudou em escola
particular, opção minha porque tenho só um filho e quero dar a ele o que eu
acho que é o melhor. Nessa primeira escola (eu havia mudado ele de escola),
tive que tirá-lo, pois a mesma não sabia lidar com aluno com transtorno e não
estava disposta a aprender, pois as escolas não querem também perder seus
alunos. Meu filho gritava e queria bater em todos, então, não é uma situação
agradável para ninguém. Eu o tirei, pois eles não queriam ele lá. Qual não foi
minha surpresa quando li no outdoor dessa escola a seguinte frase: ESCOLA
HUMANIZADA. Até hoje não sei onde está o ser humano para eles. Mas enfim, meu
filho “dava trabalho” e não conseguia alfabetizar, então, eu o tirei.
Segunda escola:
Eu escolhi uma escola, fui até a
diretora, contei sobre o problema e ficamos bastante tempo conversando. No
primeiro dia de aula, meu filho entrou na escola forçado. Confesso que foi um
erro meu. Não façam isso, não adianta forçar, isso deixa uma criança com TDO
muito nervosa. Resumindo, ele entrou gritando e querendo bater em todos,
quebrou o colar da diretora (bijouteria) e ela veio até mim no carro e disse:
ISSO É FALTA DE LIMITE E NÃO TRANSTORNO. Peguei meu filho e fui embora. Mas no outro dia voltei com várias informações sobre o que é o Transtorno e deixei na secretaria para ela. Espero que tenha lido e aprendido um pouco.
Terceira escola:
Eu resolvi leva-lo na mesma
escola que tinha tirado e ela o aceitou de volta. Quero deixar claro aos pais
que leem meu blog, que dificilmente uma escola aceitará seu filho e pior ainda:
dificilmente ela saberá lidar com uma criança com qualquer tipo de transtorno.
Eu já visitei muitas escolas e quase todos dizem não. Ninguém quer ter
problema. Apesar do governo e a mídia falarem na inclusão, na prática ela não
existe ainda no Brasil. Não posso generalizar, mas posso contar o que ouvi das
escolas de São José do Rio Preto sobre esse assunto. A maioria não investe nos
profissionais e o medo de perder alunos, faz com que recusem logo de início o
mesmo. Eu me coloco no lugar deles e sei o quanto é difícil ter um aluno com transtorno,
mas eu também não posso ficar sozinha nessa luta. Eu perguntei para uma
coordenadora pedagógica assim que ela disse que não poderia perder alunos, pois
se trata de uma escola particular: o que você sugere que eu faça com meu filho,
tranque-o em casa? Que eu o deixe analfabeto? Ela sugeriu sutilmente que
poderia tentar, mas que a experiência do ano passado com um menino com TDO não
foi boa e que não queria de novo um aluno com esse problema.
Vocês não tem ideia quantas escolas eu visitei. Eu sempre optei em dizer o que meu filho tem. Algumas psicólogas acham melhor não dizer logo na primeira conversa o que a criança tem, para não taxá-la, mas a psicóloga do meu filho acha melhor abrir o jogo e eu concordo. Não quero chegar à escola e encontrar meu filho no chão com seis pessoas segurando-o como presenciei na primeira escola. Aquela cena, não quero de novo.
Se você não desistir e tiver calma, conseguirá alguém que o acolha e que consiga alfabetizá-lo. Graças a Deus a escola atual tem batalhado comigo e com muita paciência estamos conseguindo. Não é fácil para ninguém, pois os pais não entendem e reclamam. Meu filho às vezes é agressivo e os pais não querem que seus filhos sejam agredidos. Mas a falta de informação e amor ao próximo faz com que esses pais muitas vezes sejam indiferentes. Não se intimide com os nãos, pois eles serão frequentes. Você terá que ser forte e continuar a luta pelo seu filho.
Aproveito para fazer um apelo a todas as pessoas ligadas direta ou indiretamente a educação, procurem informação, façam cursos, tenham paciência no seu dia a dia, pois nós pais, precisamos de vocês. Precisamos de auxílio, pois muitas vezes só temos vocês. Não diga não de cara aos pais que buscam ajuda. Tentem ajudar uma criança com transtorno. Não descarte como se fosse um lixo. Contribua com algo para a vida dessa criança. Ajude, ajude, ajude!
Sandra, a cada artigo que eu li neste blog mais crescia a minha admiração por vc. Já sabia da sua competência como profissional e sei o quanto é amorosa, mas saiba q este desafio que está enfrentando tão corajosamente só nos faz te admirar ainda mais. Te desejo força para continuar. Abç
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