Conheçam meu blog onde conto meu dia a dia com meu filho que tem Transtorno Desafiador Opositivo.

Para quem não conhece o que é Transtorno Desafiador Opositivo conheça meu blog onde falo do meu relacionamento com meu filho que tem esse problema. Descrevo nosso dia a dia e logo mais estarei postando entrevista com vários profissionais falando sobre esse assunto.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Escolas

Primeira escola:
Eu já falei um pouco sobre a primeira escola quando tudo começou, mas quero detalhar e aproveitar para fazer um apelo aos profissionais da educação (principalmente dirigentes das escolas).  Meu filho sempre estudou em escola particular, opção minha porque tenho só um filho e quero dar a ele o que eu acho que é o melhor. Nessa primeira escola (eu havia mudado ele de escola), tive que tirá-lo, pois a mesma não sabia lidar com aluno com transtorno e não estava disposta a aprender, pois as escolas não querem também perder seus alunos. Meu filho gritava e queria bater em todos, então, não é uma situação agradável para ninguém. Eu o tirei, pois eles não queriam ele lá. Qual não foi minha surpresa quando li no outdoor dessa escola a seguinte frase: ESCOLA HUMANIZADA. Até hoje não sei onde está o ser humano para eles. Mas enfim, meu filho “dava trabalho” e não conseguia alfabetizar, então, eu o tirei.

Segunda escola:
Eu escolhi uma escola, fui até a diretora, contei sobre o problema e ficamos bastante tempo conversando. No primeiro dia de aula, meu filho entrou na escola forçado. Confesso que foi um erro meu. Não façam isso, não adianta forçar, isso deixa uma criança com TDO muito nervosa. Resumindo, ele entrou gritando e querendo bater em todos, quebrou o colar da diretora (bijouteria) e ela veio até mim no carro e disse: ISSO É FALTA DE LIMITE E NÃO TRANSTORNO. Peguei meu filho e fui embora. Mas no outro dia voltei com várias informações sobre o que é o Transtorno e deixei na secretaria para ela. Espero que tenha lido e aprendido um pouco.


Terceira escola:
Eu resolvi leva-lo na mesma escola que tinha tirado e ela o aceitou de volta. Quero deixar claro aos pais que leem meu blog, que dificilmente uma escola aceitará seu filho e pior ainda: dificilmente ela saberá lidar com uma criança com qualquer tipo de transtorno. Eu já visitei muitas escolas e quase todos dizem não. Ninguém quer ter problema. Apesar do governo e a mídia falarem na inclusão, na prática ela não existe ainda no Brasil. Não posso generalizar, mas posso contar o que ouvi das escolas de São José do Rio Preto sobre esse assunto. A maioria não investe nos profissionais e o medo de perder alunos, faz com que recusem logo de início o mesmo. Eu me coloco no lugar deles e sei o quanto é difícil ter um aluno com transtorno, mas eu também não posso ficar sozinha nessa luta. Eu perguntei para uma coordenadora pedagógica assim que ela disse que não poderia perder alunos, pois se trata de uma escola particular: o que você sugere que eu faça com meu filho, tranque-o em casa? Que eu o deixe analfabeto? Ela sugeriu sutilmente que poderia tentar, mas que a experiência do ano passado com um menino com TDO não foi boa e que não queria de novo um aluno com esse problema.


Vocês não tem ideia quantas escolas eu visitei. Eu sempre optei em dizer o que meu filho tem. Algumas psicólogas acham melhor não dizer logo na primeira conversa o que a criança tem, para não taxá-la, mas a psicóloga do meu filho acha melhor abrir o jogo e eu concordo. Não quero chegar à escola e encontrar meu filho no chão com seis pessoas segurando-o como presenciei na primeira escola. Aquela cena, não quero de novo.

Se você não desistir e tiver calma, conseguirá alguém que o acolha e que consiga alfabetizá-lo. Graças a Deus a escola atual tem batalhado comigo e com muita paciência estamos conseguindo. Não é fácil para ninguém, pois os pais não entendem e reclamam. Meu filho às vezes é agressivo e os pais não querem que seus filhos sejam agredidos. Mas a falta de informação e amor ao próximo faz com que esses pais muitas vezes sejam indiferentes. Não se intimide com os nãos, pois eles serão frequentes. Você terá que ser forte e continuar a luta pelo seu filho.

Aproveito para fazer um apelo a todas as pessoas ligadas direta ou indiretamente a educação, procurem informação, façam cursos, tenham paciência no seu dia a dia, pois nós pais, precisamos de vocês. Precisamos de auxílio, pois muitas vezes só temos vocês. Não diga não de cara aos pais que buscam ajuda. Tentem ajudar uma criança com transtorno. Não descarte como se fosse um lixo. Contribua com algo para a vida dessa criança. Ajude, ajude, ajude!



Um comentário:

  1. Sandra, a cada artigo que eu li neste blog mais crescia a minha admiração por vc. Já sabia da sua competência como profissional e sei o quanto é amorosa, mas saiba q este desafio que está enfrentando tão corajosamente só nos faz te admirar ainda mais. Te desejo força para continuar. Abç

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